Congressos Sionistas
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Congressos SionistasDavid Mendelson |
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Introdução: Congressos Sionistas
Herzl convocou o 1º Congresso em 1897 com o propósito de
demonstrar ao mundo "o que é o sionismo e o que pretende". O
Congresso foi criado também para unir todos os sionistas sob
um só movimento, algo que até então estivera fora do alcance
dos simpatizantes nacionalistas judeus. Desde então, apesar
da cisão dos revisionistas entre 1935 e 1946, o Congresso
cumpriu sua função. Ele se tornou a autoridade suprema da
Organização Sionista.
Inicialmente, os encontros eram anuais (1897-1901), depois
bienais (1903-13, 1921-39) e, após a 2ª Guerra Mundial,
irregulares. De acordo com a constituição da OSM (1960), o
Congresso deve se reunir cada quatro anos. Contudo, ele pode
ser adiado pelo Conselho Geral Sionista, em caso de
circunstâncias especiais ou extraordinárias. Desde a criação
do Estado de Israel, todos os Congressos se realizaram em
Jerusalém.
Um exame da história do Congresso Sionista esclarece a
respeito dos problemas ideológicos com os quais o movimento
se confrontou, em particular a luta pela concretização do lar
nacional judaico. Após a criação do Estado, o Congresso
reflete os esforços da Organização Sionista no sentido de
definir sua nova função. Os problemas de estrutura,
democracia e ideologia dominam particularmente os
procedimentos - sobretudo desde 1971.
O 1º Congresso - Basiléia, 1897
O 1º Congresso Sionista deveria ter se realizado em Munique,
Alemanha. Contudo, em virtude da acirrada oposição dos
líderes da comunidade local, tanto ortodoxos quanto
reformistas, decidiu-se transferir a reunião a Basiléia,
Suíça.
Herzl* presidiu o Congresso, ao qual compareceram cerca de
200 participantes. As maiores realizações do Congresso foram
a formulação da plataforma sionista, conhecida como Programa
de Basiléia, e a fundação da Organização Sionista Mundial. O
programa declarava que
"O sionismo procura um lar nacional seguro, legal e
publicamente reconhecido para o povo judeu na Palestina."
Isto expressa claramente o sionismo político de Herzl, em
contraste às atividades de povoamento do grupo Chibat Tzion*,
menos organizado. Herzl foi eleito presidente da Organização
Sionista, e foram eleitas a comissões de Ações Internas e de
Maiores Ações, para cuidar dos interesses do movimento entre
os congressos.
Em seu diário, Herzl escreveu:
"Se eu tivesse que resumir o Congresso de Basiléia numa
só frase - que me absterei de pronunciar em público -
ela seria: Na Basiléia eu fundei o Estado Judeu."
O 2º Congresso - Basiléia, 1898
Diante da ativa oposição ao sionismo por parte de vários
líderes judeus, Herzl* lançou um apelo ao Congresso para
"conquistar as comunidades". Essencialmente, era a exigência
de que o movimento sionista focalizasse sua atenção não
somente na atividade política em prol da Palestina, mas
também trabalhasse dentro das comunidades judaicas. Neste
Congresso foram estabelecidos os fundamentos para a criação
da Companhia de Colonização Judaica, órgão financeiro cuja
meta era o desenvolvimento da Palestina. Neste congresso
também apareceu pela primeira vez um grupo de socialistas,
que exigia representação na liderança sionista.
O 3º Congresso - Basiléia, 1898
Herzl* abriu o Congresso com um relatório sobre seus
encontros com o Imperador Guilherme II, em Constantinopla e
Jerusalém. Embora tais encontros não tivessem produzido
resultado concreto, apenas o fato de terem se realizado tinha
considerável valor simbólico.
O Congresso dedicou grande parte do tempo à discussão das
dimensões políticas do sionismo, apesar da oposição a essa
orientação, manifestada pelos que consideravam ser mais
importante envidar esforços pelo povoamento. Num debate na
Companhia de Colonização Judaica, o Congresso decidiu que
seus fundos seriam despendidos somente na Palestina ou na
Síria.
Embora os delegados estivessem cada vez mais preocupados com
a chamada questão cultural - a tentativa sionista para uma
identidade nacional / étnica dos judeus - Herzl se preocupava
com as questões políticas imediatas. Alguns historiadores
argumentam que Herzl não estava tão desinteressado dos
problemas culturais; ele receava seu poder potencial de
romper o movimento ainda tão jovem.
O 4º Congresso - Londres, 1900
O Congresso foi realizado em Londres a fim de atrair a
simpatia da opinião pública deste país à idéia sionista. O
Congresso se reuniu em atmosfera de crescente preocupação
pela situação dos judeus da Romênia, de onde milhares haviam
sido forçados a fugir e os que se haviam quedado eram
perseguidos. Embora este fato evidenciasse mais ainda a
necessidade de uma "Carta de Garantia", Herzl não tinha nada
o oferecer para socorrer aqueles judeus.
Quanto à questão cultural, os sionistas religiosos, liderados
pelo Rabino Yitzhak Yaakov Reines* exigiram que o movimento
sionista se restringisse apenas aos assuntos políticos. O
Congresso discutiu também os problemas dos trabalhadores da
Palestina e a questão de um movimento nacional esportivo
judaico.
O 5º Congresso - Basiléia, 1901
Herzl apresentou ao Congresso relatório sobre seu encontro
com o Sultão Abdul Hamid II da Turquia e sobre os progressos
da Companhia de Colonização Judaica. Nem todos os delegados
manifestaram satisfação com essas realizações, sobretudo os
que se haviam associado à Facção Democrática, criada pouco
tempo antes.
O grupo liderado por Leo Motzkin*, Martin Buber* e Chaim
Weizmann* lançaram um apelo ao movimento sionista em prol da
adoção de um programa de cultura hebraica e de um maior grau
de democracia dentro da organização. A realização mais
concreta deste Congresso foi o estabelecimento do Fundo
Nacional Judaico (Keren Kaiemet LeIsrael - KKL), com o
objetivo de angariar fundos para a compra de terras na
Palestina.
O 6º Congresso - Basiléia, 1903
No 5º Congresso Sionista foi adotada uma resolução
determinando que os próximos congressos se realizariam cada
dois anos, e não anualmente, como tinha ocorrido até então.
Em seu discurso de abertura, Herzl* detalhou os esforços para
conseguir uma "Carta de Garantia" para o movimento, mas essas
tentativas tornavam-se cada vez mais desesperadas, à
proporção que a situação dos judeus se deteriorava,
particularmente após o pogrom de Kishinev. Isto deu origem a
várias soluções temporárias, como o projeto "El Arish",
negociado com os estadistas britânicos Joseph Chamberlain e
Lord Landsdowne.
Após o colapso desta tentativa, os britânicos ofereceram a
Herzl a possibilidade de um assentamento judaico autônomo na
África Oriental (comumente conhecido com projeto Uganda).
Herzl pediu que o Congresso tomasse seriamente em
consideração o plano, embora reconhecendo que ele não poderia
substituir a Palestina como Lar Nacional Judaico. No
encarniçado debate que se seguiu, Max Nordau*, o homem de
confiança de Herzl, argumentou que a "Uganda" poderia ser um
refúgio para a noite. Apesar da oposição considerável e de
uma retirada de protesto dos sionistas russos, os delegados
concordaram, por 295 votos a favor, 178 contra e 98
abstenções, que seria enviada uma comissão para o exame das
possibilidades de povoamento judeu na África Oriental.
Entre outros assuntos discutidos neste Congresso, consta o
relatório de Franz Oppenheimer sobre a possibilidade de um
povoamento coletivo no país, programa que influenciaria a
criação de vários núcleos de povoamento na Palestina alguns
anos depois. Este seria o último Congresso de Herzl, que
faleceu um ano depois.
O 7º Congresso - Basiléia, 1905
O Congresso foi aberto com um elogio fúnebre a Herzl*, por
Max Nordau*. Imediatamente depois, o debate se concentrou na
questão do assentamento fora da Palestina. O Congresso ouviu
o relatório da comissão que fora enviada à África Oriental,
cuja conclusão era que a Uganda não era adequada ao
povoamento em massa por judeus; seguiu-se a votação contra
qualquer lar nacional fora da Palestina ou suas vizinhanças
imediatas. Os Territorialistas, liderados por Israel
Zangwill* abandonaram o Congresso em sinal de protesto e
fundaram a Associação Territorial Judaica.
O Congresso também discutiu o trabalho prático na Palestina,
i.e., a concessão de apoio aos assentamentos agrícolas e à
atividade industrial. Embora parecesse que Nordau seria o
substituto natural de Herzl no cargo de Presidente da
Organização Sionista, ele recusou-se e David Wolffsohn*
assumiu a função. O Executivo da OSM transferiu seus
escritórios de Viena a Colônia.
O 8º Congresso - Haia, 1907
A decisão de realizar o Congresso em Haia baseou-se no
conhecimento de que a 2ª Conferência Internacional de Paz
seria realizada naquela cidade.
No Congresso, o debate principal foi em torno das abordagens
contraditórias dos sionistas práticos e dos sionistas
políticos.
Os sionistas políticos consideravam que uma Carta de
Garantia deveria ser conseguida antes de se começar o
trabalho prático na Palestina, e os sionistas práticos
argumentavam que sem povoamento substancial havia pouca
esperança de se receber sanção legal das Grandes
Potências.
Na oportunidade, o movimento apoiou um certo número de
esforços práticos e estabeleceu uma filial da OSM na
Palestina, chefiada por Arthur Ruppin.
Contudo, a adoção do sionismo sintético - a síntese das
duas posições - tornou-se o apelo insistente de um grupo
de delegados, cujo principal porta-voz era Chaim
Weizmann*.
O 9º Congresso - Hamburgo, 1909
Neste Congresso, Wolffsohn* e Nordau* expressaram a esperança
de que após a Revolução da Juventude Turca os esforços
sionistas talvez fossem melhor sucedidos.
Ao mesmo tempo, o Congresso continuava dividido a respeito da
questão da implementação do programa sionista. Os partidários
da abordagem prática acusavam Wolffsohn* de se concentrar na
atividade política, afirmando que seu executivo julgava os
projetos por seu valor comercial. A liderança rival incluía
Menachem Ussishkin*, Chaim Weizmann* e Nachum Sokolov*, que
receberam o apoio dos representantes do movimento dos
trabalhadores da Palestina.
O 10º Congresso - Basiléia, 1911
Este Congresso é geralmente descrito como o Congresso da Paz,
pois finalmente foi colocado de lado o debate entre o
sionismo prático e o político; a abordagem operacional do
movimento passa a ser o sionismo sintético.
Foi dada considerável atenção à questão do trabalho prático
na Palestina, assim como à cultura hebraica. Shlomo Kaplansky
levantou a questão das relações do sionismo com os árabes; e
pela primeira vez uma sessão do Congresso foi realizada em
hebraico.
O sucessor de David Wolffsohn* na presidência foi Otto
Warburg, judeu alemão e cientista de fama, que se
identificava com o sionismo prático. A sede da OSM
transfere-se de Colônia para Berlim.
O 11º Congresso - Viena, 1913
O Congresso dedicou grande parte do tempo à discussão das
atividades de povoamento na Palestina e do trabalho do
escritório da organização em Jafa. Nordau*, que se opunha a
esse desvio da abordagem de Herzl, brilhou pela ausência.
Weizmann* e Ussishkin* conseguiram o apoio do Congresso para
o estabelecimento da Universidade Hebraica em Jerusalém.
Contudo, ainda transcorreriam doze anos até a abertura da
instituição.
O 12º Congresso - Carlsbard (Karlovy Vary), 1921
Este foi o primeiro Congresso a se realizar após a 1ª Guerra
Mundial; durante este período, o movimento sionista havia
conseguido o apoio britânico a seus esforços pela criação de
um Lar Nacional Judaico na Palestina (Declaração Balfour*). O
Congresso aprovou uma resolução manifestando seu apoio à
decisão dos Poderes Aliados de conceder à Grã-Bretanha o
Mandato sobre a Palestina, e encorajando a ratificação do
Mandato pela Liga das Nações.
Com o final da guerra, a derrota da Alemanha e o sucesso do
ramo londrino do movimento, era óbvio que a liderança lhe
deveria ser concedida. Weizmann* tornou-se o presidente da
OSM e Sokolov, presidente do Executivo.
O Congresso discutiu as atividades e a organização do Keren
Haiessod, que fora estabelecido no ano anterior na
Conferência de Londres, e cujo objetivo era o levantamento de
fundos entre as comunidades judaicas da Diáspora para a
construção da Palestina.
Outro assunto abordado pelo Congresso foi a questão das
relações entre o sionismo e os árabes. O assunto havia se
tornado grave, em conseqüência dos distúrbios árabes em
Jerusalém (1920) e em Jafa (1921). O Congresso aprovou uma
resolução declarando que o sionismo aspira
"viver em relacionamento harmônico e de respeito mútuo
com o povo árabe"
e conclamando o Executivo a chegar a
"um entendimento sincero com o povo árabe."
Neste Congresso se refletiu também a crescente tendência de
divisões partidárias e territoriais dentro do movimento
sionista. O Executivo passa a se reunir em Londres e em
Jerusalém.
O 13º Congresso - Carlsbad, 1923
O Artigo 4º do Mandato da Liga das Nações* para a Palestina
previa a criação de uma Agência Judaica
"para assegurar a cooperação de todos os judeus desejosos
de auxiliar no estabelecimento do Lar Nacional Judaico."
A proposta de incluir não-sionistas na Agência Judaica foi um
assunto que despertou considerável oposição, sendo rechaçada.
(Weizmann*, contudo, conseguiu implementar este programa uns
seis anos depois.)
O 14º Congresso - Viena, 1925
O Congresso se reuniu numa época de grande imigração judaica
à Palestina, sobretudo da Polônia. Os que simpatizavam com a
idéia de construir o Lar Nacional Judaico através da empresa
privada, viram nesta onda de imigrantes a concretização de
suas esperanças; o movimento trabalhista considerava o fato
uma ameaça a seus esforços socialistas construtivos.
Os revisionistas, liderados por Zeev Jabotinsky*,
compareceram pela primeira vez ao Congresso, exigindo do
movimento sionista uma política mais ativa. Eles também se
opuseram à inclusão de não-sionistas na Agência Judaica.
O 15º Congresso - Basiléia, 1927
Este Congresso reuniu-se à sombra da crescente crise
econômica na Palestina, que já havia causado muito desemprego
e pobreza. No ano de 1927, o número de judeus que abandonaram
a Palestina foi maior do que o número de imigrantes (o
primeiro e único ano do período pré-estatal em que isso
haveria de ocorrer). Era natural que o Congresso dedicasse
grande parte de seu tempo discutindo o assunto. Weizmann* e
Ruppin* propuseram, em seus discursos, algumas soluções para
o alívio da crise.
Prosseguiram ainda os debates a respeito da expansão da
Agência Judaica.
Foram pronunciados elogios fúnebres a Achad Haam*, o líder da
ideologia do sionismo cultural, que estivera presente apenas
ao 1º Congresso.
Nas eleições à presidência, Weizmann foi reeleito mais uma
vez. Sokolov* também foi reeleito para o cargo de presidente
do Executivo; e Henrietta Szold* foi a primeira mulher a ser
eleita para o Executivo Sionista.
O 16º Congresso - Zurique, 1929
Ao contrário do Congresso anterior, este se reuniu em
atmosfera de otimismo no que se refere ao desenvolvimento
econômico da Palestina. A imigração prosseguia, assim como o
processo de recuperação econômica - ao contrário do que
ocorria nos E.U.A. e na Europa.
O Congresso aprovou a ampliação da Agência Judaica - para o
desapontamento de uma minoria barulhenta, dominada pelos
revisionistas. Esta decisão pôs fim a um debate que durara
sete anos. Weizmann* e Sokolov* foram eleitos respectivamente
para a presidência da OSM e do Executivo.
O 17º Congresso - Basiléia, 1931
Alguns dias apenas após o encerramento do 16º Congresso,
irromperam distúrbios na Palestina. A Comissão Shaw*
apresentou relatório desfavorável à atividade sionista na
Palestina, assim como a Hope-Simpson*, enviada à Palestina
pouco depois. Suas recomendações foram adotadas por Lord
Passfield, no Livro Branco que recebeu seu nome. O movimento
sionista estava muito tumultuado e Weizmann* apresentou sua
renúncia do posto de presidente da organização. Contudo, após
negociações com o governo minoritário de Ramsay MacDonald,
muitas das cláusulas negativas foram retiradas.
Durante o Congresso, muitos delegados protestaram contra a
política de Weizmann em relação aos britânicos, em particular
seu comprometimento de cooperar ao máximo com as autoridades
mandatórias. Os revisionistas não eram os únicos oponentes de
Weizmann, mas eram os que mais se manifestavam. Jabotinsky*,
o líder indiscutível desta corrente do sionismo, propôs que a
organização adotasse uma resolução declarando que o objetivo
final do sionismo era o estabelecimento de uma maioria
judaica e de um Estado Judeu na Palestina, nas duas margens
do Rio Jordão. Quando o Congresso rejeitou sua proposição,
Jabotinsky rasgou seu cartão de delegado e gritou: "Este não
é um congresso sionista!"
Este seria mais um passo em direção ao futuro rompimento dos
revisionistas da Organização Sionista. Weizmann não voltou
atrás em sua renúncia e Sokolov foi eleito em seu lugar. Em
virtude da crescente representação trabalhista no Executivo,
a orientação pró-britânica de Weizmann continuaria.
O 18º Congresso - Praga, 1933
O Congresso se reuniu sob o impacto de três significativos
acontecimentos:
- a subida do nazismo ao poder na Alemanha;
- uma economia inflacionária na Palestina;
- o assassinato do líder trabalhista e diretor do
Departamento Político da Agência Judaica,
Chaim Arlosoroff*.
As mútuas recriminações entre o movimento trabalhista - unido
desde 1930 na Palestina sob o nome de Mapai - e os
revisionistas se intensificaram ainda mais. Foi estabelecida
uma comissão de inquérito para investigar o assassinato.
Neste Congresso, pela primeira vez, o movimento trabalhista
superou numericamente os partidários do Sionismo Geral.
O 19º Congresso - Lucerna, 1935
Mais uma vez, os trabalhistas eram a maioria no Congresso.
Estabeleceu-se uma ampla coalizão, que permitiu o retorno de
Weizmann* à presidência. Sokolov* foi escolhido Presidente
Honorário da OSM e da Agência Judaica, mas morreu no ano
seguinte.
O Congresso discutiu vários temas, muitos dos quais relativos
ao salvamento do judaísmo alemão e sua imigração à Palestina.
Neste contexto, Henrietta Szold* destacou o trabalho da Aliá
Jovem. David Ben-Gurion* foi eleito para o executivo da
Agência Judaica, e desempenharia funções cada vez mais
importantes em seu trabalho. Os revisionistas não
participaram do Congresso, após sua decisão de romperem,
estabelecendo sua própria Nova Organização Sionista.
O 20º Congresso - Zurique, 1937
Após a irrupção da revolta árabe na Palestina durante a
primavera de 1936, o governo britânico despachou uma Comissão
Real para investigar a possibilidade de solução do conflito
árabe-sionista. A principal recomendação da Comissão Peel*
(conhecida pelo nome de seu presidente) foi a partilha da
Palestina entre um estado judeu e outro árabe. O Congresso
foi solicitado a determinar a posição do movimento sionista
em relação a essa proposta.
A crise que surgiu dentro do movimento só podia ser comparada
à que abalou a organização na época da assim chamada
controvérsia sobre a Uganda. As facções sionistas estavam
divididas não apenas entre elas, mas também dentro de cada
uma. Por exemplo:
- Dentro do Mapai (trabalhistas) Ben-Gurion* era
favorável à proposta, enquanto Berl Katznelson* e
Yitzhak Tabenkin* se opunham.
- A oposição, liderada por Menachem Ussishkin* (os
revisionistas haviam rompido com a OSM) argumentava que
o Estado Judeu proposto era pequeno demais para
absorver o potencial de imigração judaica, não podia se
defender de um ataque árabe e excluía Sion (Jerusalém).
- Contra estes, Weizmann* e Ben-Gurion argumentavam que
um Estado Judeu permitiria livre imigração e soberania.
Nestes tempos incertos, eles duvidavam que os
britânicos melhorariam sua oferta. Era necessária uma
solução imediata, pois o judaísmo europeu estava em
crise. Se o Estado Judeu fosse atacado, argumentava
Ben-Gurion, o movimento sionista estaria em seu direito
de exigir um ajuste de suas fronteiras.
Na oportunidade, o Congresso decidiu rejeitar as fronteiras
específicas recomendadas pela Comissão Peel, mas concedeu ao
executivo poderes para negociar um plano mais favorável para
um Estado Judeu na Palestina.
O 21º Congresso - Genebra, 1939
O Congresso se reuniu poucos dias antes do início da 2ª
Guerra Mundial. Desde o último Congresso, a Inglaterra vinha
abandonando aos poucos o plano de partilha que havia sido
proposto inicialmente pela Comissão Peel*:
- a Comissão Woodhead* considerara tal plano impraticável:
- a conferência St. James em Londres não conseguiu transpor
- o abismo existente entre os dois partidos;
- e os interesses de guerra britânicos levaram o
Primeiro-Ministro à conclusão de que
"se devemos ofender um dos lados, é melhor ofender
os judeus do que os árabes."
Em maio de 1939, fora publicado o Livro Branco, restringindo
severamente a imigração e contendo a promessa de criação de
um estado palestino independente.
O Congresso condenou a política britânica da forma mais
violenta possível, e vários delegados elogiaram a ação das
organizações dedicadas à imigração ilegal. Dado o clima de
guerra iminente, o executivo atual foi solicitado a
permanecer em exercício. Weizmann* concluiu o Congresso
declarando: "Minha única prece é a de que todos nós possamos
nos encontrar novamente, vivos."
O 22º Congresso - Basiléia, 1946
O Congresso se reuniu após o fim da 2ª Guerra Mundial e o
Holocausto, no qual foi chacinada a maioria do judaísmo
europeu.
Os principais recursos humanos do movimento sionista
estavam destruídos.
A comunidade judaica da Palestina havia se voluntariado
em grandes números ao esforço de guerra britânico, mas
pouco pudera fazer a favor de seus irmãos por trás das
linhas inimigas.
Somente em outubro de 1944 os britânicos haviam permitido
a criação da Brigada Judaica, e a unidade conseguiu
desempenhar apenas uma função limitada.
O Ishuv tinha tentado, sem sucesso, pressionar as
autoridades britânicas a anular o Livro Branco.
Inicialmente, a política de confrontação violenta fora
rejeitada pela grande maioria do Ishuv; no verão de 1945,
porém, os vários grupos armados passaram a coordenar seus
esforços contra o Mandato. Isto causou uma crescente tensão
com os britânicos que, em julho de 1946, encarcerou os
líderes do Ishuv em Latrun.
O Congresso se reuniu após a publicação do relatório
Morrison-Grady*, que recomendava a cantonização da Palestina
em quatro distritos e recomendava a realização de uma
conferência judaico-árabe a ser realizada em Londres.
Weizmann*, ainda presidente da OSM, conclamou os delegados a
aprovarem a plataforma política do movimento sionista,
conforme tinha sido aprovada nas conferências realizadas no
Hotel Biltmore em Nova Iorque em maio de 1942 e em Londres,
em 1945. O ponto principal deste programa dizia que
"A Palestina será estabelecida como uma Comunidade
Judaica integrada à estrutura do mundo democrático."
O Congresso votou por grande maioria a favor do programa mas
rejeitou o apelo de Weizmann em prol da participação na
conferência de Londres. Weizmann renunciou a seu posto de
presidente da OSM, e este ficou desocupado até 1956.
O 23º Congresso - Jerusalém, 1951
Este foi o primeiro Congresso realizado no Estado de Israel,
e ele se abriu simbolicamente com uma reunião na tumba de
Herzl* em Jerusalém. Este fora o desejo de Herzl, expresso em
seu testamento: se e quando o Estado Judeu fosse
estabelecido, que seus restos mortais fossem transferidos de
Viena.
A questão central debatida no Congresso foi a definição dos
objetivos do sionismo, pois o Programa da Basiléia já fora
cumprido.
O Congresso aprovou o Programa de Jerusalém, que assim
definiu as futuras tarefas do sionismo:
"a consolidação do Estado de Israel, a reunião dos
exilados em Eretz Israel e a promoção da unidade do povo
judeu."
Surgiram também questões concernentes ao relacionamento do
novo estado com a Organização Sionista. O Congresso adotou
uma resolução apelando ao Estado de Israel a reconhecer a OSM
como órgão representativo do povo judeu em todos os assuntos
que envolvessem a participação organizada do judaísmo da
Diáspora na construção de Israel. Em 1952 o Knesset adotou
esta resolução, quando aprovou a Lei [do Status] da OSM e da
Agência Judaica para Israel.
O 24º Congresso - Jerusalém, 1956
O Congresso se reuniu em atmosfera de grande ansiedade a
respeito da situação política e de segurança na fronteira
meridional de Israel.
O Congresso discutiu vários outros assuntos, como aliá,
povoamento, arrecadação de fundos e organização.
Foi apresentada aos delegados uma proposta de eliminação
da divisão partidária dentro do movimento, passando a
haver delegações unidas de cada comunidade da Diáspora -
mas ela foi rejeitada.
Foi escolhido o novo presidente da Organização Sionista e da
Agência Judaica, Nachum Goldman*.
O 25º Congresso - Jerusalém, 1960-1
Um dos principais temas deste Congresso foi o relacionamento
do Governo de Israel para com a Organização Sionista.
Ben-Gurion* trouxe o assunto à pauta e despertou sérias
críticas na OSM.
Outros assuntos incluíram a aliá dos países ocidentais, a
educação judaica na Diáspora. Nachum Goldman* foi reeleito
presidente da OSM.
O 26º Congresso - Jerusalém, 1964-65
Em seu discurso de abertura, Nachum Goldman* lançou um apelo
ao movimento sionista a assumir maior responsabilidade pela
situação das comunidades judaicas da Diáspora. Ele conclamou
a organização a apoiar o judaísmo em sua luta contra
decadência espiritual e a assimilação.
Foram aprovadas algumas resoluções políticas, como o apelo
aos governos de suspender o envio de armas ao países do
Oriente Médio - e uma exigência à União Soviética no sentido
de aliviar a situação de sua comunidade judaica. Nachum
Goldman* foi reeleito ao posto de presidente da OSM.
O 27º Congresso - Jerusalém, 1968
O Congresso foi realizado após a Guerra dos Seis Dias, na
Jerusalém reunificada. Pela primeira vez, estiveram presentes
às discussões delegações de jovens, inclusive grupos de
estudantes e do movimento de aliá. Tal fato refletiu os
acontecimentos ocorridas no mundo judaico, em particular o
grande número de voluntários que chegara a Israel antes e
imediatamente após a guerra. Observou-se também que a guerra
havia gerado, pela primeira vez, uma significativa imigração
a Israel dos países ocidentais.
No contexto das discussões sobre a aliá, o Congresso aceitou
a decisão do governo de estabelecer o Ministério de Absorção
da Imigração.
O Congresso também acrescentou uma emenda ao Programa de
Jerusalém de 1951, que definira os objetivos do sionismo. O
novo texto afirma:
"Os objetivos do sionismo são:
A unidade do povo judeu e a centralidade de Israel em sua
vida;
a reunião do povo judeu em sua Pátria histórica, Eretz
Israel, através da aliá de todo o mundo;
o fortalecimento do Estado de Israel, fundado segundo os
ideais proféticos de justiça e paz;
a preservação da identidade do povo judeu através da
promoção da educação judaica e hebraica e dos valores
espirituais e culturais judaicos;
a proteção dos direitos dos judeus em todo lugar."
A eleição do novo presidente da OSM, em conseqüência da
renúncia de Nachum Goldman, foi transferida ao Conselho Geral
Sionista, que elegeu Ehud Avriel* para a posição de
presidente e Arie [Louis] Pincus* como chefe do Executivo.
O 28º Congresso - Jerusalém, 1972
Foram introduzidas várias mudanças nas eleições para o
Congresso, entre as quais:
- A abolição do shekel, o pagamento que dava direito a ser
membro da OSM, e direito de voto nas eleições ao
Congresso.
- O novo sistema permitia a adoção de vários sistemas
eleitorais em cada federação territorial; em Israel, as
eleições para o Knesset seriam usadas para determinar o
tamanho das delegações de cada partido ao Congresso.
- Outras modificações incluíam a aceitação de vários órgãos
judaicos internacionais na OSM, como a Federação Mundial
de Comunidades Sefaraditas (embora sem pleno direito de
voto).
Entre os assuntos discutidos no Congresso, citam-se:
- a aliá dos países ocidentais;
- a abertura da imigração da União Soviética;
- e a educação judaica na Diáspora.
A tentativa de fazer com que os ocupantes de postos na
organização se comprometessem a fazer aliá após dois períodos
de função (oito anos) não conseguiu obter o apoio suficiente
dos delegados. Contudo, ele colocou a questão ideológica da
realização sionista [hagshamá] na agenda do movimento.
Louis Pincus* foi reeleito presidente do Executivo sionista.
O 29º Congresso - Jerusalém, 1978
Seis anos haviam se passado desde o Congresso anterior;
durante este período ocorreram vários fatos que afetaram o
mundo judeu; entre eles citam-se:
- o surgimento do terrorismo internacional;
- a Guerra do Iom Kipur;
- o crescente isolamento de Israel, exemplificado pela
resolução da ONU que igualava o sionismo a racismo;
- o êxodo dos judeus da União Soviética e a luta pelos
direitos dos judeus naquele país;
- a vitória do Likud nas eleições de 1977 para o Knesset -
pondo fim ao domínio trabalhista;
- a visita, no mesmo ano, de Anwar Sadat a Jerusalém.
Embora tais acontecimentos tivessem forte impacto sobre a
atmosfera do Congresso, eles não constituíram a parte central
dos debates. O principal assunto em debate foi a questão do
pluralismo religioso dentro do movimento sionista. Após
calorosa discussão, o Congresso aceitou o princípio da
igualdade religiosa de todas as correntes religiosas
afiliadas à OSM. Isto significava que aos movimentos das
sinagogas reformistas e conservativas, recentemente
afiliadas, seria concedido status de igualdade.
Arie Dulzin* foi eleito presidente do Executivo sionista.
O 30º Congresso - Jerusalém, 1982
Os principais assuntos que estiveram em pauta neste Congresso
diziam respeito à organização e estrutura sionistas e à
reafirmação de sua ideologia. Em particular, foi dedicado
muito tempo à questão do relacionamento da OSM com a Agência
Judaica.
Os "não-sionistas" (coletores de fundos), que constituíam 50%
da Agência Judaica, haviam - após o "Processo de Cesaréia" -
assinado o "Programa de Jerusalém", anunciando desta forma
sua aceitação da plataforma sionista. Na prática, isto
significava que a Agência Judaica estava se envolvendo em
áreas que tinham sido anteriormente do domínio da OSM - como
a aliá e a educação judaica na Diáspora. Esta tendência vinha
se intensificando após o chamado "Processo de Hertzlia", que
começou após o Congresso e recomendou mudanças significativas
no que diz respeito à organização, democratização e
orientação ideológica da OSM - Agência Judaica.
Algumas sessões do Congresso foram tempestuosas, sobretudo a
discussão sobre a construção de assentamentos judaicos nas
regiões da Margem Ocidental (Judéia e Samaria) e Gaza. A
Divisão de Povoamento da OSM estava associada a este trabalho
e certos delegados desejavam por um fim a esta atividade. No
final, foi adotada uma resolução afirmando que o Congresso
"concordara em discordar" a respeito desta questão. Contudo,
decidiu-se que um comitê conjunto do governo e da OSM
discutiria as localizações exatas dos novos assentamentos.
Arie Dulzin* foi reeleito presidente do Executivo.
O 31º Congresso - Jerusalém, 1987
O Congresso mais uma vez discutiu o relacionamento entre
Israel e as comunidades judaicas. Esperava-se que a reunião
concluiria o processo de Hertzlia, que expressava a crescente
influência dos coletores de fundos da Agência Judaica na
reestruturação, democratização e reafirmação dos objetivos
ideológicos da organização. Contudo, não se efetivaram
maiores decisões neste campo.
Foram apresentadas propostas para a eleição do presidente da
OSM, cargo que estava desocupado desde a renúncia de Nachum
Goldman* em 1968. A tentativa dos "magshimim" (que prometiam
imigrar a Israel dentro de um certo prazo) de receber um
status especial dentro do movimento foi discutida mas não
adotada. Isto foi entendido como a rejeição do princípio de
que um sionista deveria se comprometer pessoalmente a fazer
aliá dentro de um prazo limitado.
Simcha Dinitz, ex-embaixador de Israel nos E.U.A. e membro do
Partido Trabalhista, foi eleito presidente do Executivo.
O 32º Congresso Sionista - Jerusalém, 1992
O Congresso se reuniu quando se iniciavam as reformas nos
departamentos da OSM, com a instituição de uma nova
estrutura; isto se tornara necessário devido à aliá em larga
escala da URSS/Rússia e da Etiópia. [veja o file*]
Neste período verificou-se também a redução das contribuições
ao UJA e ao Keren Haiessod, por causa da recessão nos Estados
Unidos e nos países ocidentais. As aliot da Rússia e da
Etiópia extenuaram os recursos e instalações da Agência
Judaica, tornando necessária uma reformulação da aplicação do
orçamento; boa parte do Congresso foi dedicada a visitas aos
locais onde estavam se desenvolvendo os projetos.
Conseqüentemente, as divisões e os debates ideológicos
tornaram-se secundários, cedendo lugar a uma unidade de
propósitos e à confirmação de novas prioridades.
Simcha Dinitz, foi reeleito presidente do Executivo.
- O "interregno"
Um processo legal contra Simcha Dinitz colocou a Agência
Judaica em situação bastante delicada, causando o adiamento
da implementação da democratização e das modificações
estruturais.
Foram realizadas eleições interinas para a presidência do
Executivo, tendo sido escolhido o membro do Knesset Avraham
Burg, o qual - buscando uma nova definição da função da
Agência Judaica e tendo à disposição um orçamento
insuficiente - iniciou um plano radical de racionalização,
tanto da Agência quanto da OSM, assim como do relacionamento
com o governo israelense. O início do processo de Oslo trouxe
a esperança de que a Agência poderá se dedicar novamente a
vários de seus projetos sociais e educacionais, à proporção
que o orçamento do estado puder se focalizar menos em
assuntos de defesa.
A tentativa de encontrar uma definição contemporânea do
sionismo, nesta era cínica do post-ismo e da aldeia global
coloca como prioridade máxima a necessidade de diminuir o
hiato cada vez maior entre os judeus em Israel e na Diáspora,
sobretudo os da nova geração.
- Rumo ao Novo Século e ao 33º Congresso Sionista -
Juntamente com o orgulho pelos empreendimentos alcançados, a
aproximação do centenário do 1º Congresso Sionista e o
jubileu do Estado de Israel, nota-se uma escalada do processo
de diversificação e conflito na sociedade israelense. O
assassinato de Yitzhak Rabin e a violenta e inaceitável face
das ocorrências criam um clima de incerteza política; o
Partido Trabalhista, então no governo, perde as eleições para
o Likud e o processo de Oslo torna-se ainda mais instável.
Dentro de um contexto em que as organizações judaicas da
Diáspora ligadas ao movimento sionista exercem agora 50% do
voto na Agência Judaica, e da mesma forma na OSM [através da
Autoridade Conjunta para a Educação Judaica Sionista,
atualmente operativa], Israel encontra-se num papel menos
central na agenda geral da Diáspora. A liderança sionista e
os intelectuais das diversas correntes de pensamento tentam
analisar ou definir a natureza e a função do sionismo neste
momento de mudança de milênio.